E eu não paro colher os "frutos" do transtorno alimentar...
Recentemente descobri que estou com esfagite por refluxo... Consequência dos vômitos forçados...
Eu posso aqui me justificar, como me "justifico' para muitos médicos.... Eu vomito há pouco tempo, não era muito.... Enfim, mas estaria mentindo.... Eu me machuquei muitas vezes purgando... Vomitava até água, e o que eu achava que era pouco e que eu pararia quando quisesse, se tornou vício, se tornou doença!
Hoje, vivo com desconforto, azia, tosse... E na minha cabeça doente, o pior dessa doença é NÃO CONSEGUIR VOMITAR! Absurdo, eu sei! Mas isso é o que mais me deixa triste com mais essa doença diagnosticada!
Eu sempre achei que o meu transtorno alimentar não me causaria danos, até não conseguir mais trabalhar. Achei que não me prejudicaria, até abortar. Achei que não me traria outros danos, até descobrir a osteoporose e a esofagite.
Não é fácil descobrir mais uma doença e ver a cara de decepção, de tristeza das outras pessoas quando tenho que dizer nos consultórios sobre os meus hábitos anoréxicos-bulímicos!
Sinto vergonha, raiva, pena... Mas não consigo abandonar esses hábitos!
Então, se vc "entrou" nessa de vomitar, acredite, mais cedo ou mais tarde isso lhe trará problemas!
Eu me pegava pensando: ah, não é tanto assim; eu paro quando eu quiser; vomitar me "faz bem"; Mas quando eu "olhava de fora" percebia o quão degradante, triste, deprimente era a cena... Eu, abaixada, muitas vezes de joelho, purgando... algumas vezes me engasgava, e até achava que iria morrer!
O transtorno alimentar tem me tirado momentos preciosos da minha vida...
Mas eu continuo aqui, pedindo ajuda!
Diário sobre minha luta diária contra o T.A e outras questões pertinentes... "O meu corpo é um jardim, a minha vontade o seu jardineiro." (William Shakespeare)
Total de visualizações de página
segunda-feira, 27 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Luta!
Dia 13 de maio fez um mes que uma menina que eu conhecia tirou a própria vida em decorrência do T.A.
Eu ainda não consegui digerir tudo isso, mas tenho pensado nesse fato constantemente... mas pouco falo sobre isso, e isso me consome!
Fico pensando no tamanho do desespero dela, na tamanha agonia, tristeza... e vários sentimentos me tomam: pena, compaixão, raiva, inveja...Sei que quando alguém se mata, na verdade não quer se matar, quer matar a dor... E essa ideia, de certa forma, me torna cúmplice, entendedora, parceira...
Eu tive muitos pensamentos suicidas no início do tratamento, mas nunca tive coragem (?) de fazer...
Hoje eu penso em tudo que o transtorno alimentar faz com nossa cabeça e não somente com nosso corpo...
Às vezes, desistir é mais fácil que lutar, mas o cansaço é tamanho, a solidão é tanta...
Eu, muitas vezes, penso, se eu emagrecer mais X quilos, talvez esteja segura! Mas quando estou sóbria sei que para o T.A eu nunca estarei segura-satisfeita-feliz.
É preciso aprender a lutar contra o T.A e não contra a balança!
É preciso aprender a lutar contra essas ideias obsessivas!
Não é fácil! Quem disse seria?
Mas, depois dessa tragédia, agradeço cada dia que sobrevivo a essa doença, pois é mais um dia de coragem, de luta!
Quando a Pâmela se foi, um pouco de mim foi junto, e talvez eu nunca me refaça por completo disso, mas estou, pela primeira vez, conseguindo escrever sobre isso.
Nunca tive alguém próximo que tenha morrido em consequência do T.A. Conheço histórias, mas é a primeira vez que isso me assombra de verdade...
Eu realmente espero que todos nós que lutamos contra isso, consigamos vencer todo dia essa doença, por mais assustador que seja! E um dia poder dizer, eu sobrevivi ao T.A, ele não me venceu, me derrubou algumas vezes, mas eu sou teimosa, e levantei!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
(Re)nascendo....
Tenho vivido dias bem complicados.... Com crises de purgações, bulímicas, auto-destrutivas e isoladas...
Porém, isso tudo tem servido para eu olhar para dentro, para um lado meu, até então desconhecido.
Estou há mais de 2 anos em psicoterapia, e acredito que até hoje, minha psicóloga pouco me conhece... É da minha natureza ser reservada, fechada... Mas tenho tido necessidade de falar mais sobre tudo que está "entalado", "engasgado" na minha garganta!
E não tem sido fácil, tem sido assustador, me (re)conhecer e me (re)descobrir...
Sempre fiz as coisas para agradar a todos, menos a mim mesma! E na real, nunca soube o que gosto de verdade, o que quero de verdade....
Ainda não tenho as respostas para a maioria das minhas perguntas, mas estou caminhando para responde-las....
Eu preciso olhar para dentro, para mim, para poder buscar minha plena recuperação!
E aos poucos, estou conseguindo... Me isolar do mundo, das pessoas, das coisas que amo, me "obriga" a viver, a sentir tudo que eu sempre evitei!
Não! Eu não parei com meus comportamentos bulímicos, mas estou tentando entende-los, tentando perceber de onde vêm esses impulsos...
E tenho descoberto cada coisa! Que em certo momento, quando tiver "digerido" melhor, aceitado, compartilharei com vocês....
Por enquanto o que posso dizer é isso: estou me olhando, tentando me entender, me ouvir, e tem sido difícil, revelador, por vezes, assustador, mas tem valido a pena...
Sei que o caminho é longo, mas se eu sempre me esconder atrás do transtorno alimentar, nunca alcançarei a recuperação!
Porém, isso tudo tem servido para eu olhar para dentro, para um lado meu, até então desconhecido.
Estou há mais de 2 anos em psicoterapia, e acredito que até hoje, minha psicóloga pouco me conhece... É da minha natureza ser reservada, fechada... Mas tenho tido necessidade de falar mais sobre tudo que está "entalado", "engasgado" na minha garganta!
E não tem sido fácil, tem sido assustador, me (re)conhecer e me (re)descobrir...
Sempre fiz as coisas para agradar a todos, menos a mim mesma! E na real, nunca soube o que gosto de verdade, o que quero de verdade....
Ainda não tenho as respostas para a maioria das minhas perguntas, mas estou caminhando para responde-las....
Eu preciso olhar para dentro, para mim, para poder buscar minha plena recuperação!
E aos poucos, estou conseguindo... Me isolar do mundo, das pessoas, das coisas que amo, me "obriga" a viver, a sentir tudo que eu sempre evitei!
Não! Eu não parei com meus comportamentos bulímicos, mas estou tentando entende-los, tentando perceber de onde vêm esses impulsos...
E tenho descoberto cada coisa! Que em certo momento, quando tiver "digerido" melhor, aceitado, compartilharei com vocês....
Por enquanto o que posso dizer é isso: estou me olhando, tentando me entender, me ouvir, e tem sido difícil, revelador, por vezes, assustador, mas tem valido a pena...
Sei que o caminho é longo, mas se eu sempre me esconder atrás do transtorno alimentar, nunca alcançarei a recuperação!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Purgando o mundo....
Estou numa fase bem ruim... E ficava pensando se deveria ou não dividir com vocês o que estou passando/sentindo. Resolvi dividir para me sentir um pouco mais "leve"....
Estou purgando muito, há algum tempo... Purgo comida, sentimentos, tristezas, alegrias....
Não sei mais lidar com as emoções e está ficando cada vez mais difícil parar.
É um vício! Quando me diziam que eu não conseguiria parar, eu não acreditei, achei que tivesse o controle de tudo... Mas não!
Ás vezes tenho a impressão/sensação que vou morrer: engasgo,choro, tenho raiva, me canso, não consigo ficar muito tempo em pé, andando, fico sonolenta.... E assim, me desligo do mundo, da vida!
Saio, converso, mas faço isso cada vez menos e com menos entusiasmo...
Já sinto vergonha de mim, raiva de mim e do mundo!
Não me sinto "simplesmente" feia, sinto que não posso mereço ser feliz...
Enquanto escrevo isso, estou muito cansada e com muito sono... E mais uma vez vou pegar o carro e dirigir até a terapia, mesmo sem a mínima vontade de fazer isso...
Desculpem pela confusão! Estava precisando desabafar isso, se não, acho que morreria engasgada....
Me desejem força!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O início (?)
Eu fui diagnosticada com anorexia nervosa há 2 anos... Mas, ao estudar um pouco, descobri que não foi a partir do dia X que eu desenvolvi essa doença...
As pessoas me perguntam/perguntavam o que eu quero/queria emagrecendo, de onde veio essa minha obsessão com a magreza, com o corpo... Eu nunca soube responder. Provavelmente porque não existe uma resposta única e certa para essa pergunta!
Mas eu comecei a lembrar de alguns episódios da minha adolescência que, na época e até bem pouco tempo atrás, não tinham nada de preocupante...
Mas analisando os meus comportamentos e as coisas que eu omitia que fazia, hoje percebo que desde aquela época o transtorno alimentar caminhava comigo...
Lembro como se fosse hoje que gostava de dançar no quarto, mas dançava duas, três horas, sozinha. Toda família sempre soube disso. Mas em um certo momento, eu comecei a trancar a porta do meu quarto, porque além de "dançar inocentemente" eu fazia exercício, mas muuuito exercício! E ficava me olhando no espelho de uma forma que, hoje eu vejo, não era saudável...
Estudando mais sobre o assunto, lembrei que eu fazia exercício durante o banho... Ficava pesquisando quais exercícios me ajudariam a queimar mais calorias, e praticava embaixo do chuveiro... Isso, ninguém nunca soube (até hoje), até porque, era algo "sem importância"....
Mas hoje eu consigo juntar mais peças ao meu quebra-cabeças e ver que essa obsessão com o corpo me acompanha há no mínimo 15 anos... De forma velada, desconhecida por muitos, por muito tempo!
Há 15 anos atrás, não existia informação como hoje...
Lembro que aos 20 anos, desmaiei no trabalho por não me alimentar, e na época eu dizia que era porque não tinha tempo... Lembro de uma irmã minha me dizer que eu "iria desaparecer"....
Enfim, muitos episódios mostram que a anorexia nervosa me acompanha há quase metade da minha vida!
Este post eu escrevo na intenção de alertar vocês para esses comportamentos compensatórios que parecem não ter importância, mas que somados a muitos outros fatores, nos mostram o caminho longo, e muitas vezes só, que vamos trilhar....
Fica meu desabafo, que quase soa como confissão...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Um carta...
A carta abaixo foi escrita por mim numa dinâmica de grupo. Talvez uma das dinâmicas mais significativas que já fiz em toda minha vida... Foi um execício e tanto, afinal, tive que me imaginar daqui 20 anos, recuperada do T.A, contando para alguém que inicia sua jornada em busca da recuperação, porque e como comecei a minha escalada....
Espero que ajude...
Acreditei por muito tempo que o T.A fosse meu amigo, até começar a perceber que estava perdendo muito.... Minha saúde, meus sonhos...
Casei com que eu amava, viajei para muitos lugares, conheci pessoas maravilhosas! Mas nada disso era suficiente para minha felicidade... Eu só queria emagrecer, emagrecer, sumir! Mas havia um lado meu que queria ter filhos, ter minha própria família!
Engravidei... E para mim aquilo foi a prova de que o T.A era meu amigo. Engravidei e vivi as 2 semanas felizes da minha vida! Engravidei... E com a mesma rapidez com que engravidei, abortei. Minha felicidade, literalmente saiu de mim, se esvaiu em sangue, e me deixou com uma saudade de algo que nunca vivi, mas amei...
O T.A começava a me tirar as coisas e mostrar o quão inimigo ele era.
Engravidei 2 vezes e abortei. Desenvolvi osteoporose e mais uma série de outros problemas.
Perdi muito, mas hoje, olhando pra traz, percebi que era esse o caminho que eu tinha que trilhar para, hoje, valorizar cada gesto de carinho, cada vitória, cada sorriso, e mesmo, cada lágrima.
Carrego as consequências desse comportamento. Mas sou hoje a pessoa que eu sempre quis ser...
Valorizo e amo quem eu sou, por fora e por dentro.... Muito mais por dentro.... Porque quando eu me for, quero que lembrem e sintam falta da pessoa que eu realmente era e não da pessoa que eu parentava ser...
Com carinho,
Raquel.
domingo, 30 de setembro de 2012
De vidro...
Boa noite...
Na semana passada, (re)fiz minha densitometria óssea... Ano passado acusou osteopenia... Então, no decorrer do ano passado e início desse ano, tomei vitamina D e cálcio... E depois de um ano do primeiro exame, fiz outro exame... e acusou OSTEOPOROSE! Osteoporose é uma doença que afeta geralmente mulheres com mais 65 anos... (http://pt.wikipedia.org/wiki/Osteoporose)
Eu ainda não entrei em detalhes com vcs, mas estou numa fase crítica em relação ao meu TA... Muitas mudanças, muitos medos, insegurança, perguntas...
Agora estou aqui, com risco de fraturas, com 6 especialistas diferentes, em busca dessa
E o que eu ganhei com isso? Um monte de problemas de saúde, e alguns deles me acompanharão por toda a vida...
Não tenho muito o que falar agora... Ainda estou tentando assimilar, digerir tudo isso que está me acontecendo e estou tentando correr atrás do prejuízo...
Eu busquei ser forte e me tornei fraca
Tão fraca, tão frágil
que posso quebrar
esfarelar...
Não queria carne
Tenho osso, farelo...
Buracos...
...nos ossos, na alma...
Queria estar num abraço, sem medo dos braços...
Sem medo dos ossos...
"O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem."
Arthur Schopenhauer
Assinar:
Postagens (Atom)





